A era do “estude, forme-se, conquiste seu lugar no mercado e seja feliz” é mais do que passado. O mundo de hoje clama por profissionais que saibam ouvir, resolver conflitos, adaptar-se ao caos e a liderança, mesmo sem precisar de um cargo para isso.
Ensinar cada uma destas habilidades deve ser uma das tarefas da escola moderna. Aqui, as educadoras Marcela e Manoela Abreu, mantenedoras e diretoras da Ways Bilingual School de Fortaleza, falam sobre a importância de trabalhar as soft skills durante a vida acadêmica de um aluno.
MARCELA: De que forma a escola pode preparar alunos para lidar com frustrações?
MANOELA: Acho que tudo começa com o conceito de normalizar o erro, tratando-o como parte do processo de crescimento. É essencial que ele esteja conectado a um feedback construtivo, a uma escuta ativa. Também é importante entender que todos, no âmbito escolar, têm papel fundamental nesse processo. Costumo dizer que, nos colégios, todo mundo é educador: a funcionária que limpa o banheiro e vê os conflitos acontecendo está orientada a repassar tudo para o professor, que está orientado a transmitir ao coordenador. O porteiro, que observa o aluno na entrada, é outra peça fundamental, capaz de notar um olhar mais baixo ou uma exaltação inesperada. Todos somos essenciais na construção deste indivíduo e devemos ser canais abertos para possibilitar a comunicação e o diálogo sobre as próprias emoções.
MARCELA: Dentro da metodologia Ways, o que é o Project-Based Learning?
MANOELA: É uma de nossas metodologias ativas, que significa, aprendizagem baseada em projetos. Por meio de algum trabalho em grupo, criado em aulas de educação financeira ou empreendedorismo, por exemplo, o aluno é exposto às mais diversas situações e, junto a seus colegas, levado a encontrar alguma solução. É um momento onde se aprende a expor um ponto de vista, defendê-lo e, principalmente, entender a perspectiva do outro. Usamos muitos dos temas da atualidade neste tipo de dinâmica. É uma forma eficaz de ligar à criança ou o adolescente ao concreto.
MANOELA: Existe alguma relação entre a criatividade e o desenvolvimento de habilidades emocionais?
MARCELA: Acho que a gente nasce criativo e o tempo é que vai nos podando, não é? Então também é parte do nosso papel regar a criatividade do aluno, que acaba tendo uma conexão importante com vários sentimentos. Em encontrar soluções, por exemplo. Propondo experiências culturais também aumentamos a bagagem deste indivíduo, permitindo que ele conecte ideias, reinvente caminhos. Tudo isso desenvolve um olhar sobre o outro e, principalmente, a empatia, algo muito importante na formação pessoal.
MANOELA: Como as soft skills podem ser trabalhadas ao longo da vida acadêmica?
MARCELA: As soft skills são como um fio invisível que vai unindo tudo que a gente aprende ao longo dos anos. No infantil, por exemplo, a leitura funciona como pano de fundo para que eles possam falar sobre seus sentimentos, sobre o que mais gostam em si mesmos na família – e também o que não gostam. Ao longo do ensino médio, as atividades propostas passam a lidar, por exemplo, com a questão da pressão. Esses alunos estão tentando descobrir uma profissão, vivem às vésperas de um vestibular. É preciso que ele assimilem – e que a escola também seja capaz de ensinar – que as escolhas da vida nem sempre acontecem em uma linha reta.
Como as habilidades socioemocionais são trabalhadas na Ways
Material Didático: Com o material elaborado pela Arco Educação, o aluno aprende a partir de projetos personalizados que vão muito além do conhecimento técnico.
Aulas Semanais: A disciplina chamada educação socioemocional, presente na grade curricular do infantil ao ensino médio, é totalmente voltada às soft skills.
Experiências: Summer Camps e outras atividades culturais – propostas para alunos e, muitas vezes, alunos e família – conectam estudantes a outras realidades.